Anvisa pode ter benefícios de um Abbott Challenge?

No AIPIA Congress 2019, em Amsterdã, o laboratório analisou várias propostas de soluções para problemas semelhantes aos da agência brasileira de vigilância sanitária

Edson Perin

No congresso mundial deste ano da Active and Intelligent Packaging Industry Association (AIPIA), foram lançados dois desafios para empresas fornecedoras de soluções de Smart Packaging. No primeiro dia foi o do laboratório farmacêutico Abbott (leia mais em Abbott Challenge aponta três empresas vencedoras), que solicitou propostas de soluções para garantir a autenticidade de seus medicamentos à venda no mercado, controlar a distribuição e, também, melhorar a experiência do consumidor.

O outro foi o Coca-Cola Challenge, focado em reciclagem de embalagens (leia mais em Coca-Cola seleciona três fornecedores para projeto de reciclagem).

Três empresas fornecedoras de tecnologia, Arylla, Constantia Flexibles e Systech, foram as vencedoras do Abbott Challenge (ou Desafio Abbott). O curioso é que todas estas empresas trouxeram soluções que atendem a demandas muito semelhantes – ou até idênticas – às da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que acaba de renovar a regulamentação do Sistema Nacional de Controle de Medicamentos (SNCM) e abriu consulta pública para discutir o tema, com prazo até 2 de janeiro de 2020 para envio das sugestões.

Então, que tal um Anvisa Challenge? Quais seriam as vantagens disso?

Sugestão para a agência brasileira de vigilância sanitária

Seriam excelentes as vantagens, como por exemplo, logo de saída, uma significativa melhora na transparência das decisões, o que interessa a todos, em função dos contínuos escândalos de corrupção apontados no governo brasileiro, principalmente, pela Operação Lava-Jato. Como a Anvisa precisa formular uma proposta bem clara de suas demandas – o que aliás já está feito – as empresas devem apresentar soluções condizentes com estas demandas e depois mostrar a(s) proposta(s) em público, para uma plateia onde inclusive estarão os seus concorrentes.

Outro benefício é ter acesso a soluções inovadoras como as da empresa Arylla, que – por meio de impressão digital (Digital Printing) – consegue criar códigos invisíveis aos olhos humanos em embalagens de produtos, inclusive remédios. Estes códigos contêm informações facilmente acessáveis por meio de um smartphone ou outro dispositivo como um tablet que tenha uma câmera embutida, permitindo diversas vantagens, entre elas, verificar a autenticidade de um produto e oferecer serviços adicionais ao cliente, por exemplo, lembrá-lo de tomar o remédio na hora certa.

A solução da Arylla permite ainda evitar que um produto ou medicamento seja desviado de sua correta destinação (Product Diversion), o que poderia denotar algum tipo de fraude. Além disso, de um modo geral, as embalagens inteligentes (Smart Packaging) criadas por meio de Digital Printing oferecem maior eficiência para reciclagem, afinal podem ser rastreadas e separadas por processos automatizados.

A Systech, que já atua no mercado farmacêutico há vários anos, apresentou uma solução baseada em seu sistema que identifica produtos individualmente pelas variações microscópicas que existem nas impressões dos códigos de barras. Além de autenticar a origem de um produto, o sistema permite saber se a mercadoria encontrada em determinado mercado realmente foi enviada pela companhia fabricante, mais uma vez impedindo operações do chamado “mercado cinza”.

Edson Perin, editor

A terceira selecionada foi a Constantia Flexibles, fabricante de embalagens flexíveis. O grupo atende indústrias de alimentos, pet food e de produtos farmacêuticos. Nos últimos anos, passou de fornecedor com forte foco regional europeu para atuar globalmente. A Constantia Flexibles fabrica soluções de embalagens personalizadas em vários locais do mundo.

Outras soluções expostas, mas não selecionadas, envolveram inteligência artificial, QR Codes, Bluetooth e até reconhecimento do som de abertura de uma determinada embalagem, o que permite identificar se o medicamento correto foi aberto na hora certa.

Agora que a consulta pública da Anvisa foi aberta e as informações antecipadas pelo diretor-presidente da agência, William Dib, durante a abertura do Seminário de Tecnologia e Rastreabilidade, no Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da FMUSP, em São Paulo (SP), que tal criar uma espécie de Anvisa Challenge e descobrir o que as novas tecnologias, mais simples e até mais baratas, podem fazer.

No Brasil, temos diversas empresas capazes de apresentar e desenvolver soluções de extrema confiabilidade e segurança, como as mostradas acima, além de terem custo compatível com a realidade local.

Fica dada a ideia!

Edson Perin é editor do IoP Journal Brasil e fundador da Netpress Editora.

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