Tecnologia acelera processos para vendas em domicílio

UpperBag, empresa de e-commerce que envia mercadorias aos clientes para experimentação em casa antes da compra, adotou RFID para gerir as mercadorias

Edson Perin

A UpperBag criou um negócio criativo no e-commerce, que facilita a vida de quem compra e, também, de quem quer vender camisas, calças, calçados, acessórios e até cervejas: o cliente entra no site da empresa, faz uma encomenda e recebe em casa uma sacola com 30 peças de roupas de vários tamanhos próximos ao seu para experimentar e escolher o que quer comprar. Depois de escolher, é só aguardar a retirada das mercadorias que não interessaram para compra, pelo portador.

Alexandre Abrahão, CEO da empresa inaugurada há cinco anos em São Paulo (SP), explica que a adoção do sistema de identificação por radiofrequência (RFID), da iTag Etiquetas Inteligentes, acelerou a conferência das bags (sacolas para a remessa de mercadorias), dos produtos em seu interior, reduzindo erros e aprimorando os processos. “Antes da RFID, o controle de estoques era feito à mão. Itens eram cadastrados, enviados e controlados por código de barras”, explica Abrahão.

A UpperBag envia roupas para os consumidores de e-commerce experimentarem em casa

Por ser um processo manual, em muitos casos, alguns clientes diziam não ter recebido determinadas peças da encomenda e, assim, não podiam ser cobrados pelas referidas mercadorias. “Agora, com a RFID, a gente sabe exatamente o que saiu da UpperBag nas sacolas. O que não voltar foi o que o cliente comprou. Então, efetuamos a cobrança”, explica o executivo.

Os leitores de RFID ficam em dois portais, com quatro leitores FX 7500, da Zebra Technologies, e antenas iTag, que fazem a leitura dinâmica de dezenas de itens em cada sacola enviada e retornada. As etiquetas utilizadas são as iTag, com chip Impinj Monza R6. Segundo Abrahão, entre os benefícios estão a melhor gestão do estoque, o processo de fechamento de bags que ficou 40% mais rápido, o processo de conferência com 80% menos erros e 50% mais rápido. “A perda de itens caiu em 70%”, acrescentou.

Alexandre Abrahão, CEO da UpperBag

A companhia busca agora integrar o sistema com diversas marcas parceiras, permitindo envio das bags com múltiplas marcas e lojas. “A dificuldade é convencer marcas gigantescas e com estrutura engessada”, desabafa.

A inovação da UpperBag começa pelo processo de pedido de uma bag. Uma estilista seleciona 30 itens para cada cliente e coloca na bag, com base no perfil do cliente. A sacola é posta no portal e os itens são lidos dinamicamente, pouco antes de o pacote ser enviado para o cliente.

Quando a bag retorna, depois de uma semana, os produtos passam pelo portal novamente, para que sejam confrontados os itens retornados com os enviados. “Os itens enviados não retornados são assinalados como vendidos para o cliente e, então, são cobrados”, esclarece Abrahão.

Os ganhos já atingidos com RFID foram maior agilidade e segurança nos processos, diminuição da necessidade de equipe operacional e menos itens perdidos. “[O resultado] atendeu as expectativas sim”, atesta.

A iTag foi a empresa escolhida para implantar a RFID na companhia, com o fornecimento de software para leitura das etiquetas e impressão das tags. Abrahão afirma que conheceu a iTag quando visitou a Brascol, fornecedora de vestuário infantil para a UpperBag e uma das pioneiras no uso de RFID no Brasil. “Implantar RFID foi uma experiência positiva para a UpperBag”, diz Abrahão. “O desafio principal foi a integração completa com sistema interno”.

O executivo diz ainda que diversos testes para adoção dos melhores equipamentos foram realizados. “Por vezes, determinados itens ou determinadas etiquetas acabam tendo problema na leitura, sobretudo da etiqueta menor”, acrescentou. “Anteriormente fazíamos controle na mão [por códigos de barras] que geravam problemas que hoje corrigimos”, acrescentou.

Devido ao caráter inovador da UpperBag, Abrahão garante que são raras as empresas concorrentes no segmento. “As poucas multimarcas que existem no delivery de roupas atuam somente para um gênero e com baixa amplitude de categoria de itens e marcas oferecidas, além de terem baixa escala e nenhum uso de inteligência artificial na seleção de itens”.

Segundo ele, existem também grandes marcas que operam no sistema para clientes VIPs. “O sistema funciona como negócio secundário deles, não estruturado. Além disso, a opção com somente uma marca limita muito a experiência do cliente”.

Assista à entrevista na íntegra:

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