Fábrica de autopeças economiza 6% com matérias-primas

Graças à melhoria do controle da produção e dos estoques pelo uso de RFID, a R2A do Brasil conseguiu otimizar toda a sua cadeia de suprimentos de ponta a ponta

Edson Perin

Por meio dos sistemas de identificação por radiofrequência (RFID) fornecidos pela iTag Etiquetas Inteligentes, a fabricante de autopeças R2A do Brasil, com sede em Pindamonhangaba (SP), conseguiu ganhos exemplares para uma indústria de manufatura. Atuando como fornecedora de para-choques para diversos modelos e cores de automóveis fabricados no país, a companhia atingiu uma economia de 6% nas matérias-primas por conta do melhor planejamento da produção.

Outros benefícios do uso de RFID pela companhia foram a maior visibilidade dos estoques; melhor identificação dos lotes de produção por conta do código de identificação (ID) único fornecido pelas tags RFID; maior velocidade na localização dos produtos em estoque; precisão de 100% na conferência e separação dos pedidos e no processo de embarque dos caminhões; redução de 95% nos chamados de erros de entrega, com a qual prevê uma economia de R$ 85 mil por ano com transporte e bonificação a clientes; e atualização de inventário em tempo real.

Fábrica da R2A do Brasil

O projeto nasceu em cima das três necessidades que a companhia tinha em sua linha de produção. A primeira era controlar se o que estava em fabricação realmente concluiu o processo de manufatura. A segunda garantir que todos os produtos que tinham sido faturados para um cliente final realmente tinham sido embarcados no caminhão. A terceira era evidenciar o EAN13 na nota fiscal para grandes empresas compradoras de seus produtos.

Para solucionar os desafios, a companhia chamou diversas empresas fornecedoras de tecnologias para apresentarem ideias que pudessem resolver os problemas. Após analisar todas as propostas, a R2A concluiu que as tags de RFID poderiam melhorar os seus processos e, também, gerar economia na cadeia de suprimentos, eliminando etapas realizadas manualmente e garantindo uma visão realista dos estoques.

A implantação foi realizada em duas partes. Na primeira fase, em dezembro de 2018, foram etiquetados todos os produtos em estoque com a tag RFID modelo 7×2 da iTag, equipada com o chip Impinj Monza R6. A integração foi feita por arquivo, trazendo todo o estoque do ERP para o software iTag iPrint, que concluiu toda a conversão dos produtos para a padronização EPC Gen2, da GS1, já com a matrícula recém adquirida do GTIN.

Ao todo, 200 mil itens foram etiquetados neste processo, fazendo com que o estoque para as grandes empresas já estivesse pronto para ser conferido e faturado na segunda etapa da implantação. De acordo com Bruno Izídio, gestor de qualidade da R2A, “mesmo sendo um trabalho enorme fazer a movimentação dos itens para uma área de etiquetagem e depois armazenar novamente, preferimos pensar em um modo de aproveitar esse trabalho fazendo a organização de nossos estoques e barracões, sendo assim, o impacto da operação nessa primeira etapa foi absorvido pelo benefício da organização”.

Bruno Izídio, da R2A

A segunda etapa da implantação foi iniciada ainda em dezembro de 2018, quando foram iniciados os processos de impressão de etiquetas RFID para o setor de produção dos para-choques e o controle de finalização da ordem de produção por contagem via RFID. “Tivemos uma evolução muito grande no controle por conta de conseguir apontar exatamente o que tínhamos finalizado e o que estava pendente de produção; com isso, conseguimos gerar uma economia de 6% [em matérias-primas] por conta de não pedir para produzir produtos que tínhamos em excesso na área de produção e estoque”, disse Izídio.

Apenas com os resultados deste processo, a companhia já conseguiu amortizar os investimentos em etiquetas e nos hardwares implantados. “Iniciamos o processo com duas pessoas por máquina, totalizando oito em nosso processo de produção. Após dois meses de processo estabilizado com RFID, remanejamos e capacitamos duas pessoas deste setor para outras áreas dentro do grupo”.

Em seguida, nesta mesma etapa, a R2A evoluiu o projeto para fazer a divisão das áreas da empresa, colocando grades para que não haja movimentação de mercadorias sem passarem pelo portal RFID. “Com isso, separamos a produção do estoque, o estoque da expedição e a expedição do setor de embarque, e colocamos um portal RFID em cada passagem fazendo com que, ao colocar o pallet no portal, o sistema já aponte e gere os devidos relatórios sobre movimentações”, explica Izídio.

Depois de instalar os portais para fazer os controles necessários, foi a vez de implantar a aplicação iTag Alert 2.0, com customizações e integrações ao software ERP e, assim, ter os retornos de informações para tomada de decisões. “Vimos a oportunidade de melhorar os relatórios de saldo de estoque em cada setor em tempo real, sabendo o que tínhamos em estoque (esse ponto foi um grande ganho), o que tínhamos no setor de expedição sendo conferido (o que nos garantiu que não produziríamos nada sem planejamento) e o que estava sendo embarcado nos caminhões (com a redução remessas reversas em quase 95%)”.

Etiquetas RFID da iTag com chip Impinj Monza R6

Também foi constatada uma melhoria não esperada no processo de picking. Izídio afirma que “quando colocamos a tag do produto e ligamos o coletor de dados RFID, uma barrinha de ‘quente e frio’ fica maior quanto mais nos aproximamos dos produtos que queremos, o que agiliza busca e aumenta a velocidade do picking”.

A tecnologia RFID permitiu ainda a conferência de inventário quinzenal, processo que não havia na empresa e que trouxe resultados positivos por conta de o estoque estar sempre atualizado.

Sérgio Gambim, CEO da iTag, diz que por meio de práticas inovadoras, a solução RFID implantada na R2A do Brasil elevou os níveis de exigência operacional dos times e melhorou o controle do negócio. “A RFID possibilitou agilizar, rastrear e simplificar todo o processo logístico, desde a produção na fábrica até a conferência dos volumes embarcados no caminhão, inventários, transferências, trocas e vendas”.

Na fábrica, ocorrem a impressão de etiquetas RFID SGTIN, de acordo com a ordem de produção, e depois a finalização da ordem de produção via portal RFID. No Centro de Distribuição (CD), são realizadas as conferências de picking, também no portal RFID; faturamento; e verificação de embarque no caminhão, validando os volumes por nota fiscal.

A empresa R2A do Brasil adotou a padronização do GTIN por indicação da iTag, fazendo com que o número do EAN13 se destaque na nota fiscal. “Aproveitamos essa necessidade e já evoluímos o projeto para utilização de RFID”, diz Izídio. O padrão EPC Gen2 é inserido pelo middleware iTag iPrint, que verifica a quantidade de itens da ordem de produção e aciona a impressora ZD500R da Zebra para produzir as etiquetas adequadas ao padrão da GS1. Como o sistema é compatível com a maioria dos ERP, diz Gambim, a implantação tornou-se menos complexa.

“Nosso próximo passo”, afirma Izídio, “é adequar o projeto para a utilização da etiqueta SSCC para controle logístico dos pallets que iremos movimentar entre nossas filiais. Iremos aproveitar ao máximo a oportunidade que temos de nos padronizar e evoluir com as informações que podemos dar aos nossos clientes”.

O caso de sucesso da R2A, com sistema da iTag, foi premiado pela GS1 Brasil neste ano

Entre os pontos de aprendizado, a R2A aponta que, numa próxima etiquetagem em massa, irá dividir melhor os setores e as pessoas para a aplicação das etiquetas, já que o setor de reversa não está ainda com informações 100% acertadas por conta de uma etiquetagem divergente na virada do projeto. “Já estamos atuando para a correção e a melhoria continua”, garante Izídio.

Os próximos passos incluem atualizar o layout de etiqueta, adicionando um Datamatrix com o número GTIN e o serial de RFID, para oferecer aos clientes a possibilidade de utilização das etiquetas em seus processos logísticos. Izídio diz ainda que “estamos validando uma integração entre APIs, possibilitando aos clientes fazer a requisição dos produtos que foram embarcados no caminhão pelo número da nota fiscal e, com isso, validar os produtos e os códigos RFID que estão sendo encaminhados”.

A R2A também se dedica à comercialização de para-choques para montadoras e outros clientes cujos veículos são estrangeiros ou equipados com peças importadas.

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