Smart Packaging inclui mais do que tecnologias de ponta

RFID, Impressão Digital, QR Codes, Códigos de Barras, Realidade Aumentada estão entre as que podem tornar cadeias de suprimentos mais inteligentes, se bem empregadas

Edson Perin

Antes de estudar para ser jornalista, tive uma experiência marcante em outra faculdade com livros de marketing de Philip Kotler, quando atingi os primeiros conhecimentos a respeito do assunto e que, aliás, sempre tentei empregar na minha carreira profissional. Uma das lições inesquecíveis que estudei nesses livros, que faz parte dos pensamentos de Kotler e também de outros filósofos de negócios, diz respeito ao que foi definido como “Miopia de Marketing” – ou uma visão limitada dos negócios.

Um exemplo disso é o famoso caso das empresas ferroviárias inglesas e dos Estados Unidos, que – em vez de se verem como empresas provedoras de transportes – se autodefiniam como indústrias de base. O resultado disso foi o surgimento de empresas de automóveis e caminhões que destronaram as poderosas companhias ferroviárias. Conclusão: se as empresas ferroviárias tivessem compreendido o momento histórico em que se inseriam, teriam diversificado os negócios e mantido a força, vendendo carros.

Edson Perin, editor
Edson Perin

E observe que isto aconteceu pelo menos 100 anos antes de Steve Jobs, o mago da Apple, ter compreendido que não estava numa indústria de equipamentos eletrônicos, mas de mídia! Veja como é surpreendente o poder do conhecimento e do estudo de nos levar bem mais para frente. Mesmo que os estudos não sejam formais, como no caso de Jobs, que nunca se sentou num banco de universidade.

Isto mostra que a história se repete, como as ondas do mar – que não iguais, mas semelhantes. Então, considere que estamos navegando em uma nova onda. Agora, estamos diante de uma nova evolução, da Internet para a Internet das Coisas e da Internet das Coisas para a Internet of Packaging (olha o IoP Journal aí!), ou seja, a Internet das Mercadorias, ou a Internet das Cadeias de Suprimentos.

Uma pergunta que faço: sobre isto, o que faria Jobs e o que diz Kotler, do alto de seus quase 90 anos de idade? Respondo: não sei ao certo, mas me arrisco a dizer o que penso, tendo-os como inspiração.

Com base no que já li em minha vida, e juro que não foi só Turma da Mônica, os fornecedores de tecnologia deveriam se enxergar como consultores de negócios e não como vendedores de tags ou de equipamentos ou de software ou de serviços. Aqueles que se virem como vendedores de “coisas” têm menos oportunidades de vencer do que os vendedores de ideias – e por “ideias” eu quero dizer “consultoria de negócios”.

Mundo imaginário do avanço e retrocesso

Os consultores de negócios, por sua vez, têm dois hemisférios para desenhar seus vetores, compreendendo que há uma esfera de possibilidades no mundo 3D, vendo-se a partir de um mesmo ponto de partida – no centro – e em função do tempo.

Como hemisférios de vetores, imagine os hemisférios da Terra, ou seja, Norte e Sul. Considere que uma das metades seja retrocesso e a outra metade, avanço. Se avanço for Sul, quanto mais perto da latitude 90º Sul, mais eficientemente se chegará ao sucesso. Em contrapartida e analogamente, quanto mais tangente à linha do Equador, mais lento será o processo de avanço (no Sul) ou de retrocesso (no Norte). Ou ainda, o retrocesso total estará à espera dos que navegarem rumo à latitude 90º Norte.

Neste mundo imaginário do avanço e retrocesso, podemos cartesianamente supor que há mais tecnologias de negócios eficazes na Antártida do que no Equador ou, pior ainda, na Groenlândia. Não estou dizendo que no Equador não haja tecnologia. Apenas que o pager está no Polo Norte e que o smartphone está na Antártida. Sacou o raciocínio?

O que quero dizer, no entanto, é que o sucesso não depende pura e simplesmente de a tecnologia ser por tags de rádio sem fio (RFID ou identificação por radiofrequência) ou Impressão Digital ou ainda QR Code ou qualquer coisa definida como “high tech”. O sucesso depende de como se combinam as melhores tecnologias para se fazer melhores negócios e da melhor maneira possível – ou seja, menores custos e altos faturamentos.

Se você participou do IoP Journal World 2020 e percebeu esta mensagem, fico extremamente feliz. Senão, espero que você tenha se inspirado agora, por meio destas mal traçadas linhas. E posso garantir: o IoP Journal pretende guiar mais e mais mentes de negócios para mais perto da latitude 90º Sul.

Vamos navegar juntos?

Edson Perin é o editor do IoP Journal e fundador da Netpress Books

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