Unipac amplia para 98% a exatidão do seu inventário

A companhia do Grupo Jacto adotou uma plataforma de Internet das Coisas (IoT), do CIAg, que se baseia em tecnologias RFID UHF, QR Code e Bluetooth Low Energy (BLE)

Edson Perin

A indústria de transformação plástica Unipac, pertencente ao Grupo Jacto – que encerrou 2018 com receita líquida de R$ 1,5 bilhão –, adotou uma combinação das tecnologias de identificação por radiofrequência (RFID) UHF e Bluetooth Low Energy (BLE) junto com QR Codes, conseguindo como resultado atingir um nível de exatidão de inventário acima de 98%. A plataforma de Internet das Coisas (IoT) foi desenvolvida pelo Centro de Inovação no Agronegócio (CIAg), responsável pela definição da arquitetura, especificação das funcionalidades baseado nos requisitos do cliente, implantação e validação da solução, capacitação do cliente, e manutenção e desenvolvimento de novas funcionalidades.

Por ser uma das empresas mais completas do país, tanto em processos de transformação de polímeros, quanto na diversidade de produtos e serviços, a divisão logística da Unipac, no município de Pompeia (SP), além de caixas plásticas colapsáveis, possui um amplo portfólio de rebocadores elétricos, assim como serviços de locação, customização e gerenciamento de ativos. Inicialmente, antes da implantação, o processo de gestão de ativos era manual, por meio da leitura de etiquetas de código de barras. O novo processo de leitura automatizado, apoiado em uma plataforma digital desenvolvida pelo time de tecnologia do CIAg, permite gerenciar com eficiência e agilidade qualquer tipo de embalagem retornável.

Mauro Fernandes, diretor comercial da Unipac

Para Mauro Fernandes, diretor comercial da Unipac, os impactos do uso da tecnologia superaram as expectativas e o feedback dos clientes tem sido positivo, graças à combinação das tecnologias aplicadas. “Pelo alto grau de aceitação da solução, o potencial de crescimento é bastante significativo. No momento, trabalhamos projetos para aplicação da solução de gestão de embalagens retornáveis em alguns outros clientes da indústria automotiva e agrícola, com potencial de expansão para outros mercados”, completa Fernandes.

Allan Siriani, líder de projetos do CIAg, diz que há muito tempo a empresa buscava uma solução robusta para gestão de embalagens retornáveis, já que as alternativas disponíveis no mercado não atendiam a todas as necessidades dos clientes. Entender particularidades e problemas específicos de cada cliente e que uma única tecnologia não seria capaz de atender a todos os requisitos e garantir a rastreabilidade e a gestão das embalagens foram pontos determinantes para desenvolver a solução empregada na Unipac.

“Nossa plataforma digital permite a aplicação de soluções customizáveis com a combinação das tecnologias RFID, BLE e QR Code, adequadas às necessidades de cada cliente, assegurando viabilidade técnica e econômica de cada projeto”, afirma Siriani. “Acreditamos que a plataforma poderá ser utilizada em outros clientes, porém foi desenvolvida para a Unipac que trabalhará na oferta ao mercado”.

Para implantar a plataforma IoT de arquitetura mista, um site survey mapeou o fluxo e os processos da operação para implantar uma infraestrutura composta por portais RFID, leitores de beacons BLE e leitores portáteis, de acordo com a necessidade do processo, sempre buscando o equilíbrio entre custo e precisão na obtenção de dados. A caixa (objeto rastreado) recebe os dispositivos identificadores – tags RFID, beacons e etiquetas com QR Code – e, em um sistema web, a caixa é inicializada em sua posição.

A partir deste momento, a infraestrutura tecnológica realiza a leitura da caixa em cada movimentação, atualizando sua posição no banco de dados remoto, em cloud computing. O sistema conta com funções que gerenciam o posicionamento de caixa em todo o seu ciclo de vida dentro do sistema produtivo, com funções de inventário, manutenção e ociosidade.

A função de inventário mostra a quantidade de caixas em cada localização; a manutenção permite que com leitores móveis sejam identificadas as caixas que precisam de reparos no fluxo de movimentação; e a ociosidade informa as caixas que estão sem utilização no sistema, ou seja, paradas em um determinado tempo.

O sistema apresenta uma infraestrutura física onde um middleware gerencia todas as leituras e realiza a entrega dessas leituras no sistema cloud, para o gerenciamento das caixas. Dentre as tarefas do middleware, estão identificar um objeto rastreado (caixa móvel), atribuir uma localidade a esta leitura (coleta) e encaminhar os resultados para a base de dados, onde ocorrerá o processamento da informação, deduzindo se houve ou não movimentação do objeto rastreado.

Allan Siriani, líder de projetos do CIAg

Com a adoção da plataforma, os principais ganhos já percebidos foram a maior acuracidade e agilidade nas leituras, possibilidade de inventário on-line, otimização do uso das embalagens, alerta de tempo em trânsito maior que o padrão estabelecido, possibilidade de identificação de necessidade de manutenção corretiva e preventiva, histórico de movimentação das embalagens e possibilidade de acesso remoto via multiplataforma ao cockpit de gestão das embalagens retornáveis. Um dos próximos passos será integrar o sistema ao ERP da companhia.

De acordo com Siriani, do CIAg, o mercado há muito tempo estava carente de uma solução completa que realmente funcionasse na prática e possibilitasse o gerenciamento efetivo de embalagens retornáveis. Cientes desta lacuna, o centro buscou unir e aplicar diversas competências complementares disponíveis na Unipac e no Grupo Jacto, possibilitando o desenvolvimento de uma solução robusta que atenda com precisão os mais altos padrões de requisitos.

A implantação RFID segue o padrão passivo EPC UHF, da GS1, graças à visão de que há benefícios importantes nesta decisão, como não ficar preso a um único fabricante e ou equipamento. As tags RFID aplicadas nos objetos rastreados podem ser detectadas por qualquer equipamento que tenha sido implantado seguindo o padrão EPC UHF.

Para definir os locais de instalação dos leitores, foram realizadas análises prévias do ambiente da operação e do fluxo de embalagens retornáveis. Os leitores estão instalados nos pontos onde garantem os objetivos da solução. As leituras podem ser realizadas automática ou manualmente, dependendo da necessidade.

Assim, foram selecionados os leitores RFID Impinj Speedway Revolution r420, o coletor portátil RFID UHF BTL1000, beacon scanner desenvolvido pelo CIAg, e leitor de QR Code com dispositivos móveis (smartphones). Também estão em uso etiquetas adesivas RFID 50×20 da ActivaID, beacon Inovacode versões iBeacon e Eddystone TLM e etiqueta “Standard QRCode” impressa por serigrafia em PVC. Cada caixa está equipada em cada face lateral com uma tag RFID, uma tag de QR Code e num ponto estratégico uma tag beacon. As tags RFID e os beacons são regraváveis e, portanto, reaproveitáveis.

Um dos desafios do projeto foi desenvolver o conhecimento técnico da equipe em cada uma das tecnologias. Superada a fase de capacitação, a próxima necessidade se concentrou na configuração dos leitores e antenas RFID, com o intuito de criar cercas eletrônicas e evitar leituras e sobreposições indesejadas. Quanto aos beacons, também foram realizados diversos experimentos para definir a potência mais adequada, já que a configuração deve ser feita no beacon e não no leitor, elevando o nível de dificuldade para calibração.

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