Uma só pessoa faz inventário de 15 mil peças em uma hora

A rede de lojas For Boys For Girls investe em maior eficiência e agilidade por meio da tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID)

Edson Perin

Imagine fazer o inventário de uma loja com 15 mil peças de roupas usando leitores de códigos de barras. Seriam necessárias oito preciosas horas de trabalho de quatro pessoas para terminar o serviço. Detalhe: com um índice máximo de acerto de 86%. Agora, imagine o mesmo inventário, da mesma loja com 15 mil peças de roupas em estoque, sendo feito por uma só pessoa, em apenas uma hora de trabalho. E mais: com acerto perto de 100%. Sim, é possível por meio da tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID).

O exemplo acima não é ficção. Foi exatamente o que aconteceu com a rede de lojas For Boys For Girls, do Estado do Paraná, com filiais em quase três dezenas de cidades como Apucarana, Cianorte, Foz do Iguaçu, Londrina, Maringá e Umuarama. Após investir na tecnologia de RFID desenvolvida e implantada pela iTag Etiquetas Inteligentes, pode-se dizer que o tempo de inventário com RFID se tornou 32 vezes menor do que quando a empresa utilizava apenas códigos de barras.

For Boys For Girls: inventários precisos e em menos tempo com solução RFID

A For Boys For Girls aposta no conceito de que a moda deve ser acessível e descomplicada. Sob a direção e cuidado da mesma família há mais de duas décadas, a marca começou no ramo de private label e hoje possui 28 lojas próprias de varejo espalhadas pelo Paraná. A companhia atende ao público feminino e masculino e oferece novidades para os consumidores duas vezes por semana. A lojas funcionam no sistema “entre e fique à vontade” – o cliente não será abordado, exceto se chamar um atendente.

Antes da RFID, havia a impressão de etiquetas e o posterior envio para aplicação no setor de acabamento das peças. Depois da costura da etiqueta, o produto retornava para a fábrica, onde havia o processo de conferência manual, com leitores de códigos de barras. Cada peça tinha de ser conferida por dois funcionários: um trabalho de 8 horas para cada 5 mil peças de jeans. Em seguida, ocorria o picking de produtos, ou seja, as ações combinadas de coleta e separação dos itens para atender ao pedido de uma venda ou transferência.

A conferência de saída de produtos pós-picking exigia uma equipe de 13 pessoas em turnos de oito horas diárias, com capacidade para verificar até 3 mil peças por turno. Após embalado, era gerado um romaneio para conferência manual na loja. A conferência na loja exigia abrir os volumes, fardo a fardo, para conferir as quantidades de mercadorias. Nesta etapa, consumia-se mais de um dia e, se ocorressem perdas de contagem no meio do processo, o time tinha de reiniciar tudo de novo.

Os inventários sem RFID exigiam bipar etiqueta por etiqueta por códigos de barras, uma atividade responsável por um gasto de um dia inteiro de trabalho de quatro funcionários e com um índice de erro próximo de 15% para contar as 15 mil peças.

Nesta primeira etapa de testes, foram instalados quatro portais RFID distribuídos no setor de entrada, finalização de ordem de produção e no setor de expedição, para permitir o faturamento dos produtos e conferência após os fardos serem lacrados. Durante a implantação da RFID, a companhia optou por não utilizar o padrão internacional da GS1, apenas uma codificação de gravação interna, somente para controle. Mas esta decisão pode ser revertida no futuro, se a companhia desejar enquadrar os seus produtos no sistema global de padrões.

Entre os equipamentos em uso estão duas impressoras ZD500r, dois coletores Blue Bird RFR900, dois coletores Zebra FX8500, leitores Zebra Fx7500, 16 cabos e 16 antenas iTAG. A etiqueta adotada é do modelo Adesivo 74 x 20, da iTag, com chip Impinj Monza r6: todas são gravadas e impressas no momento do pedido de produção de novas peças de roupas, incluindo a codificação do número de ordem.

O principal desafio desta implantação de RFID na loja For Boys For Girls foi a barreira educacional do processo logístico, onde a importância do processo por RFID e a forma de executar tiveram de passar pela aprovação – e resistência – dos funcionários mais antigos. A direção da empresa e o departamento de TI (Tecnologia da Informação) tomaram a decisão por adotar a RFID e viabilizar a implantação.

Para o processo de recebimento, o tempo de execução de conferência caiu barbaramente. No início, duas pessoas contavam uma média de 5 mil peças por dia e somente produtos da linha jeans. Agora, uma só pessoa faz a conferência de 8 mil peças por dia, incluindo jeans, malhas e produtos de terceiros. Para o processo de faturamento, houve reduções de tempo e de quantidade de pessoas em ação. O que exigia um dia para passar 3 mil peças, com uma equipe de 13 pessoas, passou a atingir 12 mil peças diárias, com apenas 8 pessoas. E a verificação de embarque de volumes saindo do Centro de Distribuição (CD) para a loja, hoje é feita em minutos, o que levava até um dia.

Graças ao sucesso dos testes, está em andamento a implantação de um processo de conferência de volumes no momento do embarque dos produtos no caminhão diretamente pelo coletor RFID, com o aplicativo da iTag Monitor Mobile, que se integra com o ERP Virtual Age e a aplicação iTag Alert 2.0. Entre os próximos passos, a meta inclui melhorar a integração com o ERP (sistema de gestão eletrônico) para ser possível fazer a utilização do Antifurto com as etiquetas RFID e com o software iTag Alert 2.0.

A integração com o ERP ocorre com três aplicações da iTag. A primeira é o iTAG Monitor com o Virtual Age. Isto permite fazer a leitura em todas as telas de movimentação logística. A segunda integração ocorrer com o iTag Alert 2.0, que faz a conferência dos volumes antes de embarcar no caminhão e na entrada da loja. Com o iTag Monitor Mobile, a companhia faz os inventários, localização de peças, conferência de embarque no caminhão e descarregamento para entrada na loja. Há solução de cloud computing tanto para o ERP como para as aplicações da iTag.

Em etapas, o caso de sucesso da For Boys For Girls se divide da seguinte maneira:

1º Passo – Impressão das etiquetas RFID

– Nesta etapa, ocorre a impressão das etiquetas adesivas fornecidas pela iTag utilizando o ERP da Virtual Age, na função de impressão de etiquetas por ordem de produção. Assim, são gravados e impressos os valores de quantidade exata da ordem de produção e, assim, as etiquetas são enviadas para o acabamento interno, para aplicação das etiquetas nas peças.

2º Passo – Conferência de entrada de finalização de ordem de produção

– Para fazer a conferência de entrada de finalização e ordem de produção utiliza-se o Virtual Age na função de finalização de OP. O iTag Monitor faz a captação das peças que estão dentro do caixote por RFID e conclui a conferência de todos os produtos etiquetados e garante que pertencem a ordem de produção que está sendo conferida`.

Passo – Faturamento e Transferência de produtos

– Após ser gerado o pedido de venda ou de transferência, os produtos são separados conforme pedido e são levados para área de expedição onde são feitas a conferência no Virtual Age com a aplicação iTag Monitor. Assim, todas as movimentações antes de embalar o produto em fardos plásticos dívidas por volumes são verificadas.

4º Passo – Conferência de volume lacrado

– Após o produto ser faturado o setor de embalagem faz o embrulho dos itens em fardos plásticos dividindo em quantidades e anotando nos fardos para que o volume lacrado possa ser conferido. Em parceria com a iTag foi desenvolvida uma melhoria no app Monitor que, ao executar o processo de conferência de volumes lacrados com os códigos RFID, permite incluir uma sequência numérica de acordo com a quantidade de volumes que pertencem à transação que está sendo conferida. Com isso, o iTag Alert 2.0 processa as informações coletadas para que possam ser feitas conferências e localização via coletor se for necessário.

5º Passo – Conferência de embarque do caminhão

– Antes de embarcar os volumes no caminhão, a aplicação iTag Monitor Mobile faz a checagem da nota fiscal antes de embarcar no caminhão para que garanta que todos os volumes saiam do centro de distribuição sem divergência.

6º Passo – Conferência de desembarque do caminhão para entrada da loja

– Após descarregar o caminhão, o Monitor Mobile faz a checagem dos volumes desembarcados e válida também os itens dentro do volume para que garanta que a loja está recebendo todos os itens que saíram do CD, sem divergências. Neste ponto, o iTag Alert 2.0 e o Virtual Age realizam o recebimento das mercadorias de acordo com o que foi conferido no CD e, assim, alimentar o estoque da loja.

7º Passo – Inventário

– O processo de inventário passou a ser integrado com o iTag Alert 2.0, que faz a leitura de todas as peças da loja ou do CD e gera a informação para que o Virtual Age possa receber tudo o que foi lido e valide se está tudo correto.

De acordo com Rafael de Almeida, Supervisor da iTag, o maior ganho para o cliente foi diminuir o lead time e, com isso, aproveitar um mesmo colaborador em mais funções. Outros ganhos envolvem a diminuição do custo das operações logísticas e a checagem de todos os itens por meio da RFID em todos os locais, aumentando, assim, a precisão dos processos.

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