Embalagem pode garantir autenticidade das vacinas

A CoronaVac, a vacina contra Covid-19 que está sendo fabricada pelo Instituto Butantan e que já está liberada para uso emergencial no Brasil, provocou um clima de euforia e animação

Edson Perin

Neste domingo, dia 17 de janeiro de 2021, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso emergencial da vacina CoronaVac contra a Covid-19, que está sendo fabricada pelo Instituto Butantan e que foi desenvolvida em parceria com a farmacêutica Sinovac Life Science, da China. Apesar da indisposição política entre o governador de São Paulo, João Doria, e o presidente da República, Jair Bolsonaro, o assunto foi resolvido de modo tecnicamente adequado, satisfazendo os anseios de boa parte da população: a que está consciente de que a vacina é o melhor instrumento para combater a doença.

O momento de tensão política se estendeu para esta segunda-feira, como já era de se esperar, por meio de uma guerrinha de egos entre governadores a favor e contrários ao presidente do Brasil e seu opositor, o governador de São Paulo. Em meio a este cenário indesejável, muito se tem dito a respeito das vacinas, muito se tem dito igualmente sobre o ambiente político. Nada, no entanto, se fala sobre como combater um risco iminente e que hoje atinge cerca de 20% dos medicamentos comercializados no país: a falsificação.

Sim, de cada cinco remédios fabricados e vendidos, um não passa de um produto falso, produzido por quadrilhas especializadas. No mundo, o número de falsificações de remédios também tem se mostrado elevado, o que remete o problema a quadrilhas com atuação internacional, organizadas e estruturadas. Por este motivo, o assunto deveria ser levado a sério e não apenas ser levantado por interesses políticos que se sobrepõem à defesa da saúde pública, especialmente em uma pandemia com os efeitos danosos da que estamos vivendo.

O Brasil tem se notabilizado pelo desenvolvimento de soluções para resolver problemas como os da falsificação e mesmo roubo de cargas, que ainda figura entre os dez maiores negócios do país – deve-se ressaltar, entre iniciativas lícitas. Tecnologias como impressão digital, QR Codes e identificação por radiofrequência (RFID) figuram entre as fontes de desenvolvimento das soluções.

No mundo, muitas empresas de renome internacional têm se dedicado a combater a falsificação de produtos, algumas com foco especial no segmento farmacêutico. Mas também há aquelas que promovem o uso de tecnologias e inteligência artificial para combater o mercado lucrativo para quadrilhas da produção de bebidas falsas e até defensivos agrícolas.

Não precisamos, porém, buscar uma solução fora do Brasil para impedir o roubo de cargas de vacinas ou mesmo combater falsificadores. Em território nacional, temos empresas com expertise suficiente para impedir as quadrilhas de atuarem impunemente. Temos no Brasil um centro de excelência em embalagens inteligentes, o Sincpress, em Sorocaba (SP), que reúne profissionais habilitados a desenvolver projetos e soluções para este tipo de aplicação.

O Sincpress já desenvolveu um aplicativo que poderá ser utilizado pela Polícia Rodoviária Federal para identificar cargas roubadas, facilitando a fiscalização e a apreensão de produtos que foram desviados de seus caminhos logísticos originais. Com este aplicativo, o policial precisa apenas apontar um leitor – que pode ser um smartphone – para as caixas de produtos e, assim, saber se a mercadoria em questão deveria estar naquele local no dia e hora em que foi fiscalizada.

Milhões ou bi de dólares estão esperando por uma solução para não caírem em mãos de agentes criminosos.

O centro desenvolveu inclusive uma cartilha intitulada “Introdução ao Conceito de Smart Packaging”, sobre o que são e como funcionam as embalagens inteligentes. O e-book (clique aqui para baixar) foi produzido por quatro profissionais do Sincpress, sob a batuta de Paula Valerio, engenheira elétrica e eletrônica, pela POLI-USP, Matheus Quadros, bacharel em Física e mestre em Física com ênfase em Física Aplicada, pela UNESP. Victor Alves da Silva, formado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de São Carlos. E Laís Garcia, bacharel em Relações Públicas com ênfase em Comunicação Integrada na Universidade Anhembi Morumbi.

Entre outras coisas, o livro ensina como as embalagens inteligentes, ou Smart Packaging, podem dar garantia de autenticidade aos produtos. Eu recomendo esta leitura aos profissionais de saúde e aos responsáveis pela logística das vacinas.

Edson Perin é editor do IoP Journal Brasil e fundador da Netpress Editora

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