Coronavírus – Embalagens terão de evoluir rápido e com mais inteligência

Se as tecnologias de identificação, rastreamento, autenticação e melhoria da experiência do cliente são necessárias, outras inovações serão obrigatórias, como eliminar vírus, por exemplo

Edson Perin

O que já se sabe – em meio a tantas dúvidas geradas pela febre do coronavírus – é que as embalagens de hoje e os processos de distribuição terão de evoluir para novos níveis de segurança para a saúde, estabelecidos para evitar riscos de contaminação com vírus, como o causador da Covid-19. Nesta semana, tive de ir ao supermercado, aqui em São Paulo (SP), depois de passar por duas semanas de isolamento social e constatei que muitas tecnologias que já temos hoje poderiam aumentar a segurança para a saúde; porém, ainda há muito a ser feito.

Edson Perin, editor
Edson Perin, editor do IoP Journal

A reposição de gôndolas de supermercados, por exemplo, ainda é um processo totalmente manual e que implica em riscos de contaminação pelo coronavírus. E como evitar? Num primeiro momento, o uso de luvas e máscaras por funcionários seria o recomendável. Porém, não é o que está acontecendo no momento, o que exige que cada produto adquirido nas lojas seja desinfetado ao chegar em casa. Assim, demorei 20 minutos no supermercado para comprar mercadorias e mais de 60 minutos em casa, higienizando tudo antes de armazenar.

Aliás, de acordo com cenários menos otimistas apresentados por cientistas como Atila Iamarino, biólogo e doutor em microbiologia pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutorado pela Yale University – entrevistado pelo programa Roda Viva, da TV Cultura, no dia 30 de março – o uso de luvas e máscaras deverá se tornar indispensável a todos, mesmo quando a pandemia estiver numa curva descendente de novos casos – e mortes. A utilização destes acessórios pode se estender por anos e anos, disse ele.

Tarefa hercúlea ou esforço hercúleo: uma tarefa digna de Hércules, da mitologia grega

Pegas de surpresa, as empresas de distribuição de mercadorias no varejo não tiveram tempo para se preparar e nem poderiam imaginar – assim como quase todos os setores, incluindo as empresas de alimentos, bebidas e produtos de higiene e limpeza – que os efeitos nocivos da pandemia de Covid-19 seriam uma espécie de pesadelo em que todos estamos acordados. Sendo assim, adaptar e treinar funcionários em meio a este cenário tornou-se uma tarefa hercúlea, sem falar nas dúvidas sobre quais são os verdadeiros procedimentos de segurança a serem seguidos.

Veja o que pode se tornar uma das alternativas para as embalagens num futuro breve, caso a febre do vírus venha a se estender por meses ou até anos: pesquisadores da Universidade McMaster, do Canadá, trabalham para desenvolver uma superfície autolimpante que promete repelir bactérias em ambientes que vão de hospitais a cozinhas. À primeira vista, não seria uma solução para o novo coronavírus, claro, porque é um vírus e não uma bactéria, mas aponta para uma direção interessante e promissora.

O material em estudos na Universidade McMaster, que poderá impedir a proliferação de bactérias como E. coli e Salmonella, funciona por uma combinação de engenharia e química de superfície em nanoescala. A superfície é texturizada com rugas microscópicas que excluem todas as moléculas externas, de uma gota d’água ou sangue até mesmo um ser vivo como uma bactéria.

Vale parênteses – Estudei no Colégio Bandeirantes, de 1982 a 1984, numa turma de Ciências Biológicas, de onde saíram para diversas universidades estudantes que se transformaram em duas dezenas de médicos, dentistas, geneticistas e alguns poucos jornalistas, economistas, advogados etc. Lembro-me das aulas do Professor Ernest Birner, biólogo, que dizia: “os vírus são seres não-vivos, estão entre os minerais e os seres vivos, por isso, não podem ser mortos; necessariamente, os seres vivos precisam desenvolver suas próprias defesas para eliminar os vírus, que são parasitas de células vivas”. – Fecha parênteses.

Hoje, temos tecnologia disponível para suprir nossas demandas por cadeias de distribuição (supply chain) mais limpas e controladas, e até com menos interação humana. A identificação por radiofrequência (RFID) já acumula casos de sucesso em diversos setores, reduzindo custos e aumentando a eficiência operacional. Especialmente a RFID UHF se destaca na fluidez de cadeias de suprimentos, controle de estoques internos de lojas, identificação e rastreamento de mercadorias e até check-outs automáticos. Temos ainda a RFID Near Field Communication (NFC) para garantir a leitura por smartphones de operadores de lojas de varejo ou consumidores.

Há ainda a impressão digital e as experiências impressionantes da realidade aumentada entre outras tantas inovações que, além de fazerem os olhos do consumidor brilharem, podem agora dar sustentação a medidas mais seguras para a saúde de todos, ajudando a combater a dispersão de vírus – e microrganismos em geral.

E, no Brasil, temos de destacar que criamos o primeiro centro de desenvolvimento de embalagens inteligentes da América Latina, o Sincpress, que neste momento pode exercer um grande papel como provedor de discussões, desenvolvimentos e soluções para o mercado de embalagens inteligentes para todos os setores.

Aproveito aqui para colocar uma frase do Chris Diorio, CEO da Impinj, de quem recebi um comunicado sobre a pandemia no mesmo momento em que escrevia este artigo. Diz Diorio:

Embora muita coisa esteja incerta no momento, uma certeza é que essa crise passará. Nossas comunidades vão se recuperar. Quando isso acontecer, queremos que você, nossos fornecedores, parceiros e clientes finais estejam conosco, em grande parte por causa de nossas ações neste momento de necessidade. Queremos ter orgulho de como nos comportamos, e queremos que você veja esse orgulho, não por arrogância, mas porque fizemos nossa parte. Que, mesmo nas menores ações, respondemos com cuidado e empatia diante das adversidades. Para tornar o mundo um lugar melhor. Fique seguro e fique bem”.

É isso, em síntese: muito trabalho pela frente. Não vamos desanimar nem por um minuto!

Saúde e Paz.

Edson Perin é editor do IoP Journal Brasil e fundador da Netpress Editora.

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2 COMMENTS

  1. Ótimo artigo Edson!
    Sou a favor das “inteligencias” mas não sei a que ponto elas garantirão a eliminação dos agentes microbianos!
    Alguns EPIs são necessários e exigidos, mas como diz são equipamentos de proteção individual.
    Por ex: Quando eu uso uma luva de procedimento, eu estou me protegendo. Eu vou proteger meu paciente, lavando as minhas mãos, pegando uma luva nova na caixa e fazendo a desinfecção da pele, se eu for fazer uma punção por ex. O q estou querendo dizer com isso: o funcionário do supermercado usando luvas não vai “deixar” o insumo limpo pro cliente, uma vez q ele será manuseado por várias pessoas. E se ele não trocar essas luvas, ele estará contaminando tudo o q toca.
    Então, acho q isso q estamos fazendo “agora”: higienizando tudo antes de guardar já deveríamos ter esse hábito faz tempo…
    Ah! O uso das máscara vai pegar! Pelo menos no inverno e qdo estivermos gripados, será prudente!

  2. Edson, refletindo sobre o seu texto, não adianta repositores usarem luvas se eles espirram nelas, limpam a boca etc. Outro ponto é o quanto a “nova tecnologia” vai poluir?
    Em terceiro, não está na hora de um recuo ecológico nas embalagens, diminuir o tempo enorme de validade dos produtos por um lado, sem necessidade, e por outro desenvolver embalagens com o bagaço da cana, casca de coco e outros materiais que já se comprovaram eficazes para embalar coisas. Voltar o papel como meio de embalar, etc. Banir garrafas pets e voltar aos vidros e garrafas de fibra de celulose?já que a reciclagem tem se mostrado ineficiente no mundo todo, óbvio q são varios culpados pela poluição dos oceanos, mas , estamos falando da indústria altamente qualificada em pesquisa.

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